terça-feira, 8 de dezembro de 2009

. Polis + Ética

Estou retornando ao ambiente ransoso e ensaboado da política do nosso país, quem me conhece bem sabe das reservas que tenho com relação ao modo de se fazer política no Brasil. E o mais esquisito é que ultimamente tenho filosofado bastante acerca das implicações práticas da política, reimpulsionado pelas arguições de um Riponga chato (redundância né) que entrou aqui na loja a uns dois meses.
O mané tava chateando meu amigo David sobre a etmologia das palavras, na hora em que cheguei perguntava se o gajo sabia de onde vinha a palavra politica, bom eu já tinha estudado isso na antiga quinta série do ginásio, polis vem do grego cidade, e ética é o modo de proceder sem que os direitos de outrem sejam feridos (a culpa da minha parca definição não é do ginásio e sim da minha mente mau definidora, perdão amigo), portanto concluí que Poli+ética é o conjunto de boas práticas para se viver bem na cidade, em suma, todos os que vivemos nas cidades são em essência Polis-éticos ou políticos.
O bacana de se aventurar no entendimento das palavras, é que de fato compreendemos o que elas querem dizer, ou queriam no passado e qual conotação assumem atualmente. Explico! etmologicamente Política, segundo minhas próprias conclusões já explicitadas, só pode ser exercida nas cidades, então se você mora na zona rural, em uma fazenda, sítio, vilarejos, assentamento etc, você não mora em uma cidade, por tanto não exerce polis-ética e sim, o que eu acabei de inventar, ruralis-ética.
Na idade média, tal qual hoje, os habitantes das cidades (cidadãos) aprendiam desde cedo a nutrir um certo preconceito para com os habitantes das não-cidades, das fazendas e vilas, daí o termo "vilão", hoje associado a sujeito ruim.

Indo pro que interessa!

Eu vi esta semana, algo que me deixou preocupado, fui na livraria e percebi de uma vez por todas que o campo editorial está indo rumo à lama. Ao lado dos livros de Vampiros EMO que engrossam o caldo das porcarias escritas pra adolescentes gays e semigays, vi o livro que foi lançado juntamente com o filme, que conta a vida épica de um filho de retirantes oriundos do interior pernambucano e que se tornou Presidente do Brasil. Me interessei e fui dar uma bizoiada no trailler do filme, o que eu vi foi uma tentativa de tornar seu Ináfio em um Semideus brasileiro, manso, sereno, militante de uma causa legítima, inabalável a despeito dos problemas, ora Lulinha sempre foi superior a tudo, inclusive às surras da polícia, o bacana é que não se fala nada de sua aversão ao trabalho, tendo em vista que ele não sabe o que é bater um prego em uma barra de sabão desde os idos de 1978, quando iniciou a arquitetação do, ironicamente, Partido dos Trabalhadores.
Este quixote bem sucedido tem seguidores no país inteiro, como um jumento carregado de açúcar vem magneticamente atraindo o os politicos de diversas legendas, aqui na paraíba não foi diferente. e quer fazer um teste, pergunte a qualquer um que você conheça quais suas impressões sobre Lula, engraçado é que as respostas serão bem parecidas, algo do tipo: "não é bom, mas de todos foi o melhor, ou você preferia Sarney ou Collor?" puro caso de Reductio ad Absurdum.
Eu só sei que ser apresentado ao filme "Lula, o filho do Brasil" me deixou com várias interrogações:
  1. Será que ele vai conseguir imprimir em Dilma uma mascara barbura e apedeuta pra poder garantir as eleições do ano que vem?
  2. Nós os outros, seremos novamente engodados pela mistica do sujeito pobre que conseguiu vencer na vida?
  3. Terá o cinema força suficiente para deixar a imagem de Lula uma vez por todas vinculada a uma espécie de Messias?
Sei não, histórias de vida costumam ser muito eloquentes, mais ainda quando o cinema resolve entrar no jogo.

O fato é que para mim seu Inácio é um sujeito ao pé da letra em todos os sentidos, um homem que nasceu em um vilarejo do interior do Nordeste, que tornou-se cidadão da maior megalópole nacional, conseguiu liderar um forte movimento por uma esquerda utópica, conseguiu adesão de cabeças pensantes, e em determinado momento as cabeças pensantes foram decisivas pra moldar o Lula que conhecemos, que não sabe o que acontece a sua volta, que não precisa entender nada de política internacional, apenas precisa manter-se firme com uma retórica simplificada tanto para os grandes empresários, quanto para o mais simples representante do povo, vê-se, ao pé da letra que Lula não nega sua orígem vilã.

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