quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mulher, Onde estás?

Inicialmente, amigo(a), quero levar-lhe a imaginar um jardim, pense em um lugar dos mais bonitos e agradáveis, os pássaros já estavam anunciando o pôr-do-Sol, um ser imponente passeia por entre as árvores do Jardim, procurando um casal, não o encontrando faz então a célebre pergunta, “Onde estás?”. Esta passagem da história está descrita no capitulo 3 do livro de Gênesis na Bíblia, o que se segue depois desta pergunta é um jogo de empurra-empurra acerca da culpa sobre ter comido o fruto da árvore do bem e do mal. O homem, canalhamente julgo eu, disse de bate pronto “foi a Mulher que me deste, ela me deu o fruto” e o julgamento prosseguiu neste mote, mas se você desejar saber a respeito deste assunto em especial, abra a Bíblia, lhe será uma boa leitura pois o foco deste texto não é religioso.

Voltando ao assunto, costumo brincar com a ideia de que, após a expulsão do Éden, Adão sempre pensaria duas vezes antes de aceitar um conselho da jovem Eva, penso que ocorreram diálogos mais ou menos assim na vida do primeiro casal:


- Lá vem você novamente com suas idéias! você sabe o que aconteceu daquela vez, não sabe?

Lógico que isso é uma impressão, machista, talvez Adão a tenha tratado como uma rainha até o fim dos seus dias, para que o peso da culpa lhe fosse atenuado.

O que acontece, é que, daqueles dias para cá pouca coisa mudou, como história da humanidade foi escrita por mãos masculinas, então a contribuição das mulheres para os grandes feitos históricos foram sendo omitidos, de forma que a frase “por traz de um grande homem há sempre uma grande mulher” tornou-se um prêmio de consolação dos mais fajutos comprados em lojas de 1,99.

Não poucas foram as mulheres que quebraram a força centrípeta que as amarra e fugiram do esteriótipo das “Mulheres de Atenas” de Chico Buarque (vale a pena ouvir), sempre atual descrição. porém romper tabus nem sempre foi tão fácil, várias mulheres foram apedrejadas, queimadas como bruxas, ou sofreram as mais terríveis retaliações, pelo simples fato de serem mulheres e terem opinião própria.

Uma parcela pequena de homens deram a importância devida ao papel da mulher na sociedade, podemos destacar a postura de Jesus de Nazaré, que pôs as mulheres em posição fundamental no seu ministério, as tratou com respeito, não como meros objetos de satisfação sexual ou procriação, elas eram contadas entre os discípulos. Para nós hoje parece fácil e lógico Jesus ter tido esta atitude para com as mulheres, porém vale informar que era tradição entre homens judeus proferir uma oração de louvor ao acordar que dizia mais ou menos assim, “Obrigado Senhor, por eu não ter nascido nem cão nem Mulher”, em uma sociedade que homens enfileriavam as mulheres com os cães foi preciso ter muita sensibilidade e coragem para derrubar valorizá-las. E a resposta veio quando todos fugiram e se esconderam por ocasião da morte de Jesus, as mulheres estavam corajosamente junto ao túmulo de José de Arimatéia sem temer pela própria vida, foram velar aquele quem tudo enfrentou para que todos fossem tratados como iguais.

Pena que a postura de Jesus fora tal qual uma ilha de respeito e reconhecimento no mar da história. Joanas D´arc se multiplicaram e cansadas das fogueiras e das pedras começaram a reunir-se e o movimento feminista começava a tomar forma em diversos locais do globo, protestos, greves de fome, de sexo, de marido. As mulheres passaram a exigir direitos iguais, equiparação salarial e o reconhecimento por parte de todos de que a competência não está no sexo, mas no indivíduo.

Surgiram Eleanores Roosevelt, Helens Keller, Rosas Parks, Margareths Thatcher, minha mãe, sua mãe, mulheres que faziam muito homem gaguejar, mulheres que ao abrir a boca calavam os marmanjos. Quando tudo parecia estar mudando, em especial no nosso Brasil brasileiro, quando as mulheres já comemoravam uma abertura sem igual no tocante ao reconhecimento de suas qualidades, elas são elevadas a uma posição de destaque pela mídia global, finalmente as mulheres estariam em evidência, pois é, foram colocadas na revistas masculinas, nas propagandas de Cerveja, nos salões de automóveis, nos out doors das grandes cidades ou até mesmo rebolando em um minúsculo biquini como background de algum apresentador mongolóide e milionário.

Foi lhes dado representantes de peso para o movimento, Madonna, Britney, WineHouse, Tiazinhas, Mulheres Frutas, Rainhas do Bumbum, Rainhas do Silicone e mais um time anencéfalo de atrizes de todas as idades. Pronto, o movimento está organizado, cheinho de celebridades, mas ninguém de carne e osso, muito silicone e big brother e menos cérebro.

Foi lhes dito que eram feias por terem alguns quilinhos a mais, foram levadas a se odiarem, a vomitarem o amor próprio até ficarem tão magras quanto as modelos das passarelas.

Foi lhes dito também que seu cabelo não prestava, que envelhecer não prestava, que sua cor dos olhos era fora de moda, e que seu intelecto era mero detalhe, já que continuaria na embalagem, pensar não seria de muita serventia.

O fim disto tudo para as famosas adeptas deste TrashFeminismo (essa é de autoria minha e ninguém tasca), termina usando o corpo para ao menos ser lembrada, ainda que como sombra do que um dia fora. Para as desconhecidas basta continuar sofrendo por não ter um cabeleireiro 24 horas, um personal trainer, um namorado marombado e semi-gay, e envelhecer ou morrer de desgosto.

não quero dizer que as mulheres não devam se cuidar ou se produzir, por favor não pensem isso, adoro uma mulher que saiba se arrumar, sou contra as neuroses que entravam tudo. Por isso às desencanadas, que não caíram neste conto do vigário que mais parece uma teoria da conspiração global digna de filmes de Hollywood, às que são felizes mesmo com pneuzinhos, celulites e sem estar com o cabelo constantemente pranchado. Para estas eu tiro o chapéu, o meu respeito e o de todos os caras que adoram ter uma mulher sem crises e que se aceite.

Epilogo. (Pus um fim neste texto pois de outra forma não conseguiria concluí-lo)

Eu seria hipócrita se dissesse aqui que todas a mulheres são lindas, mentira, nem todas são, mas o lance está em não se martirizar por causa da casca, produzir-se sempre faz bem, ter classe, elegância estas coisas impõe respeito, mas serem reconhecidas pelo que pensam não pelo que aparentam é a grande sacada. Afinal as mulheres já provaram que podem fazer quase tudo o que os homens fazem e o melhor, com salto alto e saia justa.

Concluindo da mesma forma como comecei. Segundo a narrativa Bíblica a mulher foi feita da costela do homem ou seja no meio do homem, nem superior nem inferior, mas na mesma linha, seria para ele uma ajudadora idônea e deve ser tratada como tal, e deve se ver como tal.


“Nem toda brasileira é bunda!”

(Maria Rita - Pagu)



Um comentário:

Lindi disse...

E sobre isso, sabe o que mais dói...é que muitas vezes você é sugada por uma atitude que você sabe que não é a correta, exemplo, Preta Gil (não, não sou fã dela...rs...mas, é um ótimo exemplo)não é nem de longe o estereótipo da beleza...grita direto aos quatro ventos que se ama...e etc...certo dia vi uma entrevista com ela onde ela assumia que sofreu e sofria muito pelo julgamento das pessoas, e já tinha chorando muitas vezes por isso...na verdade, tinha desistido e finalmente se aceitado!Em resumo, não é fácil...queremos sim dizer "Ó NÃO LIGAMOS, NOS ACEITAMOS 100%" ,mas, infelizmente não é assim...sempre queremos melhorar alguma coisa (mesmo que involuntariamente). Então, na verdade realmente é não entrar em neura...se cuidar...CLAROOOO...SOMOS MULHERES...mas, o essencial eh se amar...e o se cuidar será conseqüência...é isso!!!minha singela opinião...hehehe